Joana
Cruz frequentou a Universidade Católica Portuguesa, onde se formou em
comunicação social. Neste momento, trabalha para a RFM como locutora, e onde já
realizou programas como o “Café da manhã”, “BFF”, e atualmente Wi-Fi com Daniel
Fontoura e Rodrigo Gomes.
Sofia
Coelho: Primeiramente, gostaria que me falasses do teu percurso desde que, entraste na Mega Hits até agora à RFM?
Joana
Cruz: A Mega já fez 20 anos começou em 1998, a dia 7 de setembro, eu ainda ia para o
3ºano de faculdade, na altura eram 5 anos na Universidade Católica,
tirei lá comunicação social. Tinha visto um anúncio no jornal que não explicava
muito bem o quê que era, acabei por ir parar à rádio Renascença porque a Mega
pertence ao Grupo Renascença, assim como a RFM e afinal era para abrir uma rádio
jovem no grupo, ou seja, já havia rádio Renascença para um target mais velho, a
RFM para um público alvo entre 25 aos 35 anos, queriam então que fosse dos 15 aos 25 anos. Eu na altura tinha 18 anos ia fazer 19, e fiz os testes, um processo de seleção ainda um bocadinho longo, e
pronto inaugurei completamente sem saber
nada de rádio, uma rádio na altura que foi um projeto do Pedro Tojal que tinha um programa "Tojal acordar Portugal" na RFM, e então foi um projeto dele que avançou, e felizmente hoje
está maior de idade e cheio de saúde. Portanto, comecei na Mega FM na altura, que
agora é Mega Hits fiquei lá cerca de 4 anos e depois passei para a RFM porque tinha saído o Pedro Tojal das
manhãs. O Zé Coimbra e a Carla Rocha passaram então para o "Café da manhã" e
ficou ali um espaço que era preciso ocupar e então foram me buscar à mega para
fazer manhã de hoje, que era a manhã a seguir ao "Café da manhã", e até
hoje já saltei para alguns horários na RFM.
Sofia
Coelho: Lembras-te do teu primeiro dia na rádio? Como foi
saber que havia público por todo o país a ouvir-te?
Joana
Cruz: Na altura nós fazimos uma coisa que ainda
ninguém ainda fazia, que era tratar o ouvinte por "tu", foi para muita gente estranho. Mais tarde a RFM adota o mesmo tratamento por "tu" foi um bocadinho disruptivo. A ideia aqui é sentirmos que as pessoas no seu dia
a dia tratam-se por tu, mesmo que sejam reuniões formais as pessoas ao fim de 5 minutos já estão a dizer "podemos nos tratar por tu?". Portanto, isso cria no
nosso entender uma proximidade com o ouvinte e não ofende ninguém, não estamos
a ser desrespeitosos, não vamos ter um
discurso diferente só porque tratamos a pessoa por tu, a ideia é mesmo criar proximidade,
e quando tu estas num estúdio e pensas tenho ali pessoas, tens que imaginar as
pessoas que tens à tua frente, muitas vezes depois a gente nem pode pensar
nisso senão até fica um bocadinho com medo de termos um país inteiro a
ouvir-nos, é uma responsabilidade que de facto é o que é, mas no dia a dia
tentamos não pensar muito nisso, mas imagina que estão pessoas a
ouvir-te, as vezes nem sabes quantas, e felizmente, no "Café da manhã" que é o nosso, em rádio, o prime time, ao contrário da televisão que é a noite, consegues ter ali 800 mil pessoas em boas vagas de audiência, quase um
milhão de pessoas a ouvir.
Sofia
Coelho: Quanto tempo estás na RFM?
Joana
Cruz: Na RFM, estou há 16 anos, exato fiz os 4 primeiros de rádio na Mega e depois há 16 anos na RFM.
Sofia
Coelho: Que tipo de pessoas achas que ouvem a RFM? Que tipo
de público? Público mais ativo ou mais passivo? Achas que as pessoas tentam
interagir muito convosco?
Joana
Cruz: Há coisas que estão mais
ou menos estudadas e têm de estar, isso é como qualquer coisa, quando vais vender
um produto tens de fazer um estudo de mercado para saber onde é que, onde é que
ele vai furar melhor e nós temos que obviamente ter alguns dados e sabemos que
a nossa ouvinte maioritariamente é uma mulher, portanto damos-lhe um nome,
chamamos-lhe a Maria. E portanto, a maior parte dos ouvintes/ público são
mulheres e a faixa etária para a qual nós apontamos mais cirurgicamente
possível, porque depois vamos sempre apanhar franjas, não é, dos mais novos ou
mais velhos, são 25 a 35 anos. Sendo que, há coisas que a gente também não
pode estar a dizer publicamente, porque como qualquer negócio tem de haver
qualquer segredo para dar alma, mas sabemos que o público é maioritariamente,
classes A e B.
Sofia
Coelho: Durante todos o dia, abrangendo todos os programas?
Joana
Cruz: Sim, depois obviamente que não sei se conseguem medir
até quem entra e quem é que sai, conseguem medir em termos de números mais ou
menos.
Sofia
Coelho: Durante a pesquisa apercebi-me que os estudos eram
baseados em faixas etárias e nos sexos.
Joana
Cruz: Exatamente, nós conseguimos mais ou menos ter
gráficos em que percebemos que das 0 horas as 0 horas como é a linha, a curva,
sabemos que há um pico maior de audiência as 7 horas da manhã,
começa as 7h30 da manhã começa a subir as 8 horas e tal está ali o pico, vai descendo, a hora de almoço é um pico decrescente geral para todas as
rádios a meio da tarde torna a ter um pico, ao fim de dia também não está nada
mau, depois à noite pelas 22 horas, 22 horas e tal, começa
novamente a subir bem, porque as pessoas já acalmaram para puder estar em casa,
ou a estudar. O oceano pacifico é um programa que já tem mais de 30 anos,
sendo o mais antigo e é uma marca que se manteve na RFM, porque mesmo que possa
parecer que os nossos pais ouviam o "Oceano pacífico", que é verdade. De facto,
não ficamos com aquela carga que se os nossos pais já ouviam então é uma coisa
envelhecida para o nosso público, e isso não é interpretado dessa maneira, porque o público do oceano é muito transversal e, portanto, vais conseguindo
conquistar não só os mais velhos que já conquistaste, mas também os mais novos
que por lá passam. Toda gente sabe o que é o "Oceano pacífico" desde cedo, não é?
Sofia
Coelho: Que impacto achas que tem a RFM nos seus ouvintes/ no
seu público? E que impacto tem o vosso público em vocês?
Joana
Cruz: Nós nos ouvintes acreditamos que é o melhor possível, porque muitas vezes recebemos esse feedback das pessoas, Desde pessoas que nos
dizem que já tiveram fazes da vida complicadas e que foi com a RFM ligada que
conseguiram encontrar um caminho para sair de alguma escuridão na qual estavam
embrulhadas, desde crianças que nasceram, porque no bloco de partos a RFM estava
a dar, porque a gente não sabe, vamos assim meios apagados para operações ou
para partos, mas eles metem a rádio a dar, e estou ali quase que se estivessem
no café a realizar o trabalho deles. E muita gente a dizer "o meu filho nasceu
dia tal, as tantas horas ao som da música não sei quê." (risos) A RFM, é uma
rádio que fazendo parte do grupo Renascença é uma rádio de inspiração cristã,
que não é uma coisa muito óbvia, mas a nossa ideia não é passar nenhum culto,
nada disso, é só passar uma mensagem no fundo cristã que é um bocadinho
universal, e se quiseres podes estar atribui-lhe uma religião ou não de uma
pessoa ser bem disposta, simpática, virada para os outros, e portanto todos os
bons valores que a humanidade deveria ter independentemente da religião. A RFM
tenta passar isso, e acho que é um bocadinho por aí que depois também recebemos
das pessoas esse carinho tão grande de nos dizerem muitas vezes que somos quase
da família e a gente conhece-vos tão bem e dão abraços, e dão beijinhos, e as
vezes trazem bolos e vão lá levar coisas, e são de uma simpatia incrível,
porque nós as tantas fazemos mesmo parte da vida delas, eu tenho horários muito
fora de trânsito, mas quando as vezes tenho de ir mais cedo e apanhar trânsito,
tu pensas há muita gente que passa uma hora, uma hora e meia para ir, outra
para voltar, ou seja três horas do dia delas vezes não sei quantos dias, nem
anos, mas são muitas horas da vida das pessoas, que estão ali presas, e isso
tentamos depois fazer a diferença e que as pessoas fiquem ali, e não virem para
outro lado.
Sofia
Coelho: Quando a rádio passou a ser nacionalizada teve um
grande impacto em Portugal. Achas que ainda produz o mesmo impacto?
Joana
Cruz: Felizmente, não vivemos os tempos de censura, não
sabemos o que seria dar aprovação a mensagem que tu querias passar diariamente,
não sei como seria antes, mas teriam que escrever um texto e depois ir lá
alguém dizer risca isto… portanto, felizmente, não vivemos esses tempos, nem sequer uma sombra disso. Muitas vezes as pessoas perguntam "à vocês
como fazem parte da Renascença tem ali algumas coisas que não podem dizer" e
fica um bocadinho essa sensação, mas não é verdade tu podes dizer tudo, agora
de facto o que quer dizer tudo? Ninguém vai dizer asneiras para a rádio, não
vais ter um discurso completamente energúmeno só, porque estas a dizer que és
muito livre, portanto, há que ter feito diferença obviamente porque as pessoas
podem, a gente pode mostrar a nossa opinião relativamente ao que quiser e não
há nenhuma censura relativamente a isso, portanto, a nível não só da rádio, mas
também global, 25 de abril sempre! (risos)
Sofia
Coelho: O que achas que faz a RFM a rádio nº1 em Portugal? Porquê?
Como fazem?
Joana
Cruz: Ora acho que passa muito primeiro pela música que as
pessoas gostam de ouvir, daí “RFM só grandes músicas!”. É muito a música será
sempre por mais que locutor, animador as vezes pense “ai sou espetacular, faço
isto tão bem” , não, a música é sempre o fator número um para o sucesso de uma
rádio e depois por coisas que oferecemos como conteúdos às pessoas, para elas se sentirem identificadas connosco e pensarem é aqui que eu
quero estar não preciso de ir ao café do lado que esta oferecer a mesma, mas
nunca vai ser a mesma coisa, porque é aqui que tenho este carinho.
Sofia
Coelho: A RFM é mais ouvida no Norte ou no Sul?
Joana
Cruz: Temos, maioritariamente, mais adesão no grande Porto do
que na grande Lisboa, depois temos outros países como o Brasil, Reino Unido, França,
Suíça, através do site ou webradios na nova aplicação.
Sofia
Coelho: Atualmente ouve-se mais a RFM pela internet ou pela
forma tradicional?
Joana Cruz: Já
se ouve muito pela internet, é verdade sim senhora, e esse é agora o grande
desafio da rádio. É quando chegar a rádio por satélite aos carros, porque já foi
um desafio a questão dos CD’s, dos Spotify, da pen no carro, isso também foi um desafio para nós,
só que a componente humana que a rádio oferece e um CD não, um Spotify não, só
aqueles que não são premium e levam um rapaz a dizer adere ao Spotify e
interrompem-nos ali as músicas, mas isso é um robô não é a componente humana e é
aí que a rádio tem conseguido manter-se. Didn’t killer the radio star.
Sofia
Coelho: Numa entrevista que realizaste para a revista “Caras”
em março de 2016, falaram do “Café da manhã” passar em direto na SIC Caras,
disseste “Estamos todos muito expectantes, pois aliar a rádio à televisão é uma
coisa que não se faz todos os dias.” Atingiram um maior número de audiências?
Joana
Cruz: Foi uma experiência do Daniel Oliveira, era o
diretor da SIC caras, e hoje está como diretor da SIC, e na altura ele tinha
visam, sempre teve, e então propôs nos fazer o programa de rádio em direto na
televisão, foi uma experiência engraçada, mas ao mesmo tempo meio cansativa no
sentido em que não havia pausas. Tu quando vês um programa que seja em
direto há intervalo, os apresentadores vão para dentro, bebem a sua águinha, têm
a sua pausa e voltam magníficos. Nós ali tínhamos a televisão a dar as 3h do
programa sem pausa nenhuma, quando ia para publicidade os microfones ficavam
ligados no estúdio e nos as vezes esquecíamos do fenómeno “Big Brother”, que a
pessoa esquece-se e começa a falar e as vezes começas a dizer coisas que não
estavam bem a calhar de aparecer na televisão. Portanto, foi uma experiência
engraçada, mas a repetir teria de ser noutros moldes, no sentido em que, não
podíamos estar 3 horas sempre em bonecos, em personagens.
Sofia
Coelho: Teve muita aderência na altura?
Joana
Cruz: Teve alguma dentro dos limites da SIC caras, é um
canal por cabo, uma coisa pequenina, foi uma experiência que algumas pessoas se
lembram, não foi uma coisa massiva, mas foi algo engraçado e houve muita gente com
curiosidade de ver.

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