"Trabalho, trabalho, trabalho" por António Capelo



Natural da Freguesia de Pedorido, António Martins Moreira Capelo, mais conhecido como António Capelo, tem 63 anos e é ator, encenador e atual diretor artístico do Teatro do Bolhão.

Sofia: Desde sempre que o seu objetivo profissional era de se tornar ator e encenador?

António Capelo: Não, o meu objetivo profissional sempre foi ser ator, ser encenador é uma coisa que vem por acréscimo, mas é um acréscimo normal, é uma espécie de mais valia no meu trabalho de ator, que tu a partir de uma determinada altura começas a perceber que como ator tu precisas de perceber como se dirigem atores e o que tu fazes como encenador a cima de tudo é dirigir atores, ter a capacidade de os dirigir e os por a fazer aquilo que tu pretendes do espetáculo, portanto, é uma espécie de mais valia no meu trabalho de ator.

Sofia: Sei que estudou filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, porque a escolha deste curso?

António Capelo: Estudei, primeiro porque eu era para estudar direito mas não havia o curso de direito no Porto porque achei que podia ser advogado como não havia o curso de direito e eu não tinha condições financeiras para ir estudar para Coimbra ou Lisboa decidi escolher um outro curso, então decidi escolher filosofia porque parti do principio que filosofia era uma área que me permitia conhecer melhor  o mundo, estudar e analisar melhor o mundo e a relação dos homens com o mundo, etc. De repente descobri o teatro, e o teatro ensinou-me filosofia, ensinou-me teatro, ensinou-me tudo. E aí que perdi o caminho da filosofia e fiquei pelo caminho do teatro.

Sofia: Tem algum projeto próximo?

António Capelo: Tenho sempre muitos projetos. Acabei de fazer uma coisa para a RTP, estou a fazer uma coisa para TVI, vou repor um espetáculo de teatro em outubro na companhia de teatro, Teatro do Bolhão no Porto como ator, que eu estou a fazer o D. Quixote e depois hão de vir outros, e outros, e outros projetos. A vida nunca para de ter projetos.

Sofia: Como lida com o "ser famoso"? Mudou a sua vida?

António Capelo: Não faço a mínima ideia, eu não ligo nada a isso, absolutamente nada, portanto, eu continuo a ir ao supermercado a fazer a vida mais normal do mundo. A única coisa que acontece é que as pessoas reconhecem-me, pedem-me para tirar fotografias e eu faço um esforço para ser simpático que é o mínimo que eu posso fazer, não é?

Sofia: Como é regressar à Bienal de Cultura de Castelo de Paiva depois do sucesso de Todos a Payva, em julho de 2017?

António Capelo: É um grande desafio porque a primeira tinha corrido muito bem, mas o exercício que eu tinha preparado na primeira era bastante mais simples e, portanto, ao envolver a comunidade eu exigia menos aos participantes do que desta vez. Eu desta vez subi a fasquia e, portanto, eu obriguei-me a mim próprio e aos meus colaboradores mais diretos a termos que acelerar e a trabalhar bastante mais para que o resultado pode-se funcionar bem em função daquilo que nos pretendíamos, mas foi um desafio muito, muito, muito grande.

Sofia: As suas expetativas foram correspondidas?

António Capelo: Olha é assim, as pessoas correspondem sempre as nossas expetativas, não, as pessoas ultrapassam sempre as nossas expetativas porque as nossas expetativas muitas vezes são mais limitadas do que a imaginação dos outros que trabalham connosco, portanto eles ultrapassam as nossas expetativas porque eles acrescentam coisas as nossas expetativas.

Sofia: Como surgiu a ideia, em 2002, de formar a ACE Teatro do Bolhão?

António Capelo: É muito simples, nós sempre achamos que ligado uma instituição de formação, que é uma escola, deveríamos ter uma instituição de produção e de criação teatral e portanto associar a criação à formação é uma coisa fundamental para nós porque nos interroga constantemente e os nossos espetáculos alimentam-se também das nossas interrogações e dos alunos que nos formamos na escola.

Sofia: Como é ser o seu diretor artístico?

António Capelo: É trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho.

Sofia: Tem alguma dica para jovens que queiram seguir o mesmo percurso?

António Capelo: Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, exatamente.



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